terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Implantação da Economia Açucareira no Brasil

Material disponibilizado pela professora Juliana Lopes para os alunos do 1º Ano do Ensino Médio da Escola Estadual Dr. Celso Machado.


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No primeiro século da conquista, Portugal preocupou-se em defender a posse das terras brasileiras contra a ameaça de invasão de outros povos (franceses, holandeses).
Até a metade do século XVI, o governo português e a burguesia mercantil estavam mais interessados nos lucros que obtinham com o comércio dos produtos orientais. Porém, com a crise do comércio com o Oriente, Portugal voltou sua atenção para a sua colônia na América.
A solução encontrada foi implantar a empresa açucareira no Brasil. nessa época, o açúcar era um artigo de luxo muito procurado na Europa. Sua venda alcançava altos preços no mercado.
A economia açucareira implantada no Brasil desenvolveu-se sob o "Antigo Sistema"colonial, portanto, sujeita às regras ditadas pela Metrópole. Sistema, que tinha suas bases no mercantilismo.
Durante os séculos XVI e XVII, a nossa economia baseou-se na produção da cana-de-açúcar. O açúcar tornou-se o nosso principal produto de exportação, situação que se manteve até a segunda metade do século XVII, quando começou a sofrer a concorrência das Antilhas.
De origem asiática, a cana foi levada para o continente europeu pelos árabes.
Portugal, já conhecia as técnicas de produção do açúcar, ao colonizar as ilhas do Atlântico (Cabo Verde e Madeira), dando início à plantação da cana e a fabricação do açúcar.
Portugal viu na implantação da empresa açucareira no Brasil, uma forma de organizar uma atividade econômica permanente e iniciar o povoamento sistemático da colônia.
A cana foi introduzida pela primeira vez no Brasil, na Capitania de São Vicente, por Martim Afonso de Sousa, em 1532.
Na ilha de São Vicente, no litoral paulista, ele construiu o primeiro engenho de açúcar - o engenho dos Erasmos.
Em 1540 havia engenhos nas capitanias hereditárias de São Vicente e de Pernambuco. Em 1560, já havia 62 engenhos na colônia. O nordeste tornou-se a principal região produtora de cana-de-açúcar.
O sucesso da empresa açucareira no Brasil, se deveu as condições favoráveis para a adaptação da cana, como: o clima tropical e o solo de massapé.
Portugal via também na implantação da empresa açucareira a possibilidade de ampliação do mercado consumidor, particularmente devido à colaboração dos holandeses, que já estavam envolvidos na sua distribuição, e o alto preço do produto poderia atrair mais investimentos.
Os holandeses participaram desde o primeiro momento, com o financiamento da empresa açucareira. Controlavam o transporte, o refino e a distribuição do açúcar no mercado europeu.
Criou-se no Brasil, uma economia exclusivamente voltada para o mercado externo. Uma economia fundamentada nos sistemas da grande propriedade, da monocultura e do trabalho escravo.
A grande propriedade foi criada devido à extensão dos territórios coloniais e ao fato da cultura da cana-de-açúcar só ser rentável numa produção em larga escala.
A monocultura era essencial, para a implantação de um tipo de economia que tivesse alta rentabilidade para a Metrópole. A opção pela cana praticamente impôs a monocultura, isto é, o Brasil precisava tornar-se uma empresa altamente especializada na produção do açúcar. Portanto, a diversidade econômica não interessava à Metrópole, porque geraria uma rentabilidade menor.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Movimentos sociais na República Velha


Classificam-se as revoltas sociais em:
RURAIS: Messiânicos ; Revolta de Canudos; Revolta do Contestado; Cangaço

URBANOS: Revolta da Vacina; Revolta da Chibata;O anarcossindicalismo

MOVIMENTOS SOCIAIS RURAIS
Movimentos Messiânicos:
Líderes religiosos.
Guerra de Canudos (BA 1896 – 1897):
Antônio Conselheiro (líder).
Imagem do Filme Guerra de Canudos com José Wilker
Causas: miséria crônica da população nordestina, má distribuição de terras, descaso com o trabalhador rural, seca, aumento de impostos, separação entre religião e Estado decorrente da proclamação da República.
Camponeses seguem Antônio Conselheiro, formando o Arraial de Canudos (ou Arraial do Belo Monte), no interior da BA.


Comunidade forma um Estado paralelo a República, abandonando as fazendas, deixando de pagar o dízimo e os impostos republicanos.
Governo republicano + Coronéis + Igreja unem-se contra Canudos.
Campanha de difamação contra Canudos atinge os principais jornais da capital, associando Canudos ao retorno da monarquia.
Após 4 expedições militares, Canudos é massacrada.
Fonte bibliográfica frequentemente citada: “Os Sertões” – Euclides da Cunha.


Revolta de Juazeiro (CE – 1913):
Líder: Padre Cícero.
Causa: Intervenção do governo central no Ceará, retirando do poder a tradicional família Accioly.
Padre Cícero lidera um exército formado por fiéis que recuperam o poder para a tradicional família.
Prestígio político do Padre Cícero aumenta consideravelmente, e a família Accioly retoma o controle do Estado do Ceará.

Estátua de Padre Cícero em Juazeiro do Norte


Guerra do Contestado (SC/PR 1912 – 1916):
José Maria (líder).
Causas: exploração de camponeses, concessão de terras e benefícios para empresas inglesas e americanas que provocaram a expulsão e marginalização de pequenos camponeses.


Origem do nome: região contestada entre os estados de Santa Catarina e Paraná.


Assim como Canudos, os participantes foram violentamente massacrados.



Banditismo Social ou Cangaço (NE 1890 – 1940):
Bandos armados que percorriam o interior nordestino sobrevivendo de delitos.
Principais bandos: Lampião e Curisco.
Causas: miséria crônica da população nordestina, seca, má distribuição de terras, descaso do Estado e dos coronéis para com os mais pobres, violência.
Mito do “Robin Hood”.
Os cangaceiros foram perseguidos pela polícia volante e exterminados um a um. Eram os únicos que despertavam medo nos coronéis, justamente por não terem perspectiva de melhorar sua condição e portanto não precisar temer o desrespeito das leis vigentes.

MOVIMENTOS SOCIAIS URBANOS
Revolta da Vacina (RJ – 1904):
Projeto de modernização do RJ (Presidente Rodrigues Alves).
Destruição de cortiços e favelas, ampliação das avenidas, construção de novos prédios inspirando-se em Paris.
Expulsão de comunidades pobres das regiões centrais, inflação, alta do custo de vida.
Vacinação obrigatória contra a varíola (Oswaldo Cruz) desencadeia conflito.
Revolta dos Marinheiros ou Revolta da Chibata (RJ 1910):

João Cândido (líder), posteriormente apelidado de “Almirante Negro”.
Causas: maus tratos, baixos soldos, péssima alimentação e castigos corporais (como a chibata, por exemplo) dentro da marinha.
Marinheiros tomam 2 navios e ameaçam bombardear o Rio caso continuassem os castigos na marinha.
Governo promete atender as reivindicações e solicita que marinheiros se entregassem.
Envolvidos foram presos e mortos. João Cândido sobrevive, mas é expulso da marinha .
Castigos corporais na marinha são abolidos.

Movimento operário:
Causas: ampla exploração dos trabalhadores urbanos das fábricas e ausência de legislação trabalhista que amparasse os trabalhadores.
Até a década de 20 predomínio de imigrantes italianos de ideologia anarquista.
Principais formas de luta: formação de sindicatos e organização de greves.
A partir de 1922 o principal instrumento de luta operária foi o PCB, que tenta organizar os operários.
Postura do governo em relação ao movimento operário: repressão (“caso de polícia”).
A Semana de Arte Moderna (SP – fev/1922):
Crítica aos padrões artísticos e literários formais (métrica, rima, saudosismo, sentimentalismo).
Criação de uma nova estética sem fórmulas fixas e limitadoras da criatividade.
“Paulicéia Desvairada” – MÁRIO DE ANDRADE: primeira obra modernista.
Principais representantes: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia (literatura), Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti (pintura), Villa-Lobos (música), Vitor Brecheret (escultura).
O Tenentismo:
Movimento da baixa oficialidade do exército (tenentes e capitães).
Classe média urbana e letrada.
Contra o poder central das oligarquias.
Objetivos: moralização política (voto secreto, fim das fraudes, afastamento do controle oligárquico), ensino obrigatório, centralização positivista.
Programa elitista – para o povo, mas sem o povo.
Consideravam-se a “salvação nacional”.

Revolta do Forte de Copacabana ou os 18 do Forte (RJ 1922):
Contra a posse do presidente Arthur Bernardes (1922).
Episódio das “Cartas Falsas”.
Movimento fracassou, mas 18 integrantes (sendo um civil) marcharam em Copacabana contra uma tropa do governo de mais de 3 mil homens. Sobreviveram ao gesto suicida dois tenentes: Siqueira Campos e Eduardo Gomes.
Rebelião Paulista (1924):
Tenentes tomam o poder de São Paulo, liderados por Isidoro Dias Lopes, por 22 dias, até a reorganização das tropas federais. Fogem para o Paraná onde se encontram com outro grupo de tenentes vindos do RS, liderados por Luís Carlos Prestes.
Coluna Prestes (1924 – 1926):
Líder: Luís Carlos Prestes (“o Cavaleiro da Esperança”).
Marcha pelo interior do Brasil tentando debilitar o governo de Arthur Bernardes e conseguindo mais adeptos para a causa tenentista.
Caráter social mais amplo: alguns mencionavam o desejo pelo voto feminino e pela reforma agrária.
Fracassou. Seus integrantes se exilaram na Bolívia. Alguns retornaram ao Brasil posteriormente.